Segunda-feira, 7 de Junho de 2004

Poesia

Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade.

E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.

Ei-los que vão já longe como que na diigência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.

Quem sabe quem os lerá?
Quem sabe a que mãos irão?

Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.

Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.

Passo e fico, como o Universo.

(Alberto Caeiro)
publicado por In Loko às 05:47
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5 comentários:
De amita a 11 de Junho de 2004 às 00:35
Bom fim de semana, amigo. Um livro na mão é uma óptima companhia. bjinhos
De Maria a 9 de Junho de 2004 às 17:47
hummm... venho à procura das tuas palavras... e nada?? :(( beijinhos
De Tó Boinas a 8 de Junho de 2004 às 05:53
um livro... um amigo!
http://wordistramoco.blogs.sapo.pt
De In loko a 8 de Junho de 2004 às 05:42
Eu sempre digo Maria, ter um livro de poesia à mão, é ter "um mundo aberto" de conforto!Beijinhos pra ti
De Maria a 7 de Junho de 2004 às 11:12
... Eu leio! sempre... Não passo sem eles, sem a poesia...Ela é a minha vida! Que bom passar por aqui, querido amigo.. Desejo-te uma excelente semana, beijinhos

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