
CORPO HABITADOCorpo num horizonte de água,corpo abertoà lenta embriaguez dos dedos,corpo defendidopelo fulgor das maçãs,rendido de colina em colina,corpo amorosamente humedecidopelo sol dócil da língua.Corpo com gosto a erva rasade secreto jardim,corpo onde entro em casa,corpo onde me deitopara sugar o silêncio,ouviro rumor das espigas,respirara doçura escuríssima das silvas.Corpo de mil bocas,e todas fulvas de alegrias,todas para sorver,todas para morder até que um gritoirrompa das entranhas,e suba às torres,e suplique um punhal.Corpo para entregar às lágrimas.Corpo para morrer.Corpo para beber até ao fim -meu oceano brevee branco,minha secreta embarcação,meu vento favorável,minha vária, sempre incertanavegação.Eugénio de Andrade
De
Maria a 5 de Julho de 2004 às 13:44
Passei para te ler, e deixar um beijinho, tem um dia muito feliz!
De
amita a 4 de Julho de 2004 às 12:01
Que a poesia, maravilhosa como esta, reine sempre dentro de ti. Bjinhos
De
100chave a 3 de Julho de 2004 às 19:05
O bom gosto pela poesia continua a habitar o teu corpo e a enriquecer-te(nos) os sentidos.
Eugénio de Andrade, simplesmente belo.
Saudações,
De
meialua a 3 de Julho de 2004 às 12:54
Não cohnecia o teu blog, gostei! Tens muitas Poesias dos meus escritores preferidos! Bom fim de semana e um beijo enorme*
De
Maria a 3 de Julho de 2004 às 12:42
Querido amigo, o que se pode dizer de uma obra destas?? não sei falham-me as palavras, digo apenas, sublime!!! E a ti, o meu muito obrigada!!! Tem um dia muito feliz!! Beijinhos
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