Domingo, 11 de Julho de 2004
Cabelos
CABELOS
Ó vagas de cabelo esparsas longamente,
Que sois o vasto espelho onde eu me vou mirar,
E tendes o cristal dum lago refulgente
E a rude escuridão dum largo e negro mar.
Cabelos torrenciais daquela que me enleva,
Deixai-me mergulhar as mãos e os braços nus
No báratro febril da vossa grande treva,
Que tem cintilações e meigos céus de luz.
Deixai-me navegar, morosamente, a remos,
Quando ele estiver brando e livre de tufões,
E, ao plácido luar, ó vagas, marulhemos
E enchámos de harmonia as amplas solidões.
E ó mágica mulher, ó minha Inigualável,
Que tem o imenso bem de ter cabelos tais,
E os pisas desdenhosa, altiva, imperturbável,
Entre o rumor banal dos hinos triunfais.
Consente que eu aspire esse perfume raro,
Que axalas da cabeça erguida com fulgor,
Perfume que estonteia um milionário avaro
E faz morrer de febre um louco sonhador.
Eu sei que tu possuis balsâmicos desejos,
E vais na direcção constante do querer,
Mas ouço, ao ver-te andar, meló dicos harpejos,
Que fazem mansamente amar e enlanguescer.
Ó manto de veludo esplêndido e sombrio,
Na vossa vastidão posso talvez morrer!
Mas vinde-me aquecer, que eu tenho muto frio
E quero asfixiar-me em ondas de prazer.
Belissimo!!! Bravo..beijinhos pra ti
De
amita a 21 de Julho de 2004 às 01:08
Sempre belos os poemas que incluis. Se estás de férias, aproveita-as bem, amigo. Bjinhos
Lindissimo, querido amigo! Fiz o teu link, no meu novo espaço, beijinhos
De
100chave a 13 de Julho de 2004 às 20:50
Uma ode aos cabelos; pois se o amor é para ser percorrido dos pés ás pontas dos cabelos... ;)
Terno e bonito.
Fica bem,
De
In loko a 13 de Julho de 2004 às 05:30
Não Lara, eu só sei garatafunhar, e num é nada mau loll... isto é de Cesário Verde, esqueci-me de pôr o nome do poeta. Beijinhos
De
Lara a 12 de Julho de 2004 às 20:01
De quem é isto? Tum lindo!!!É teu? Beijinhos
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