Segunda-feira, 26 de Julho de 2004
Poesia e Prosa
POESIA/PROSA
Regressar ao corpo, entrar nele
sem receio da insurreição da carne.
Nenhuma boca é fria,
mesmo quando atravessou
o inverno. Uma boca é imortal
sobre outra boca: diamante
aceso, estrela aberta
quando a luz irrompe, invade
ombros, peitos, coxas, nádegas, falos.
Despertos, puros no seu pulsar,
aí os tens: esplendorosos,
duros.
Tocar-te a pele,
o pulso aberto
ao gume do olhar.
Que seja esse
o chão, o sopro
do primeiro dia.
Rosa inflamável,
boca do ar.
Aqui me tens, conivente com o sol
neste incêndio do corpo até ao fim:
as mãos tão ávidas no seu voo,
a boca que se esquece no teu peito
de envelhecer e sabe ainda recusar.
Eugénio de Andrade
De
amita a 28 de Julho de 2004 às 18:12
Lê-se e relê-se correndo, sempre a mesma sensação de beleza. Bjinhos
De
Bruno a 28 de Julho de 2004 às 06:49
Bela escolha... =)
Lindo..lindo..e lindo demais!! Eugênio de Andrade é realmente muito bom :)) Beijos.
Quase que fico sem respirar... Belo, profundo, intenso... Sempre magnificas as tuas escolhas! Beijinhos
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